As Meninas dos Olhos

As Meninas dos Olhos

foto diário de são paulo - Marisa Pretti na coluna Eu mudo SP de Caio Colagrande do Diário de São Paulo. Manchete: Atriz e roteirista transformam imagens em palavras para cegos - Dupla começou em 2014 iniciativa chamada Íris Cor de Mel, para que deficientes pudessem 'ler' fotos postadas em redes sociais.

 

Blog descreve imagens das redes sociais para quem não vê                                                                                 

Atualizado: 06/05/2020 - 20:07
06/04/2015 - 0:00                                                                                                                                                                                                                                              foto catraca livre -  A self tirada dentro de uma cabine de som retrata quatro amigas em uma pausa de trabalho. À esquerda, em primeiro plano, Kemi; quase ao centro, Jô, sentada, entre Marcia Oshiro e Marisa Pretti, ambas, em pé com rostos e corpos juntos a ela e bem inclinados em direção ao foco. Todas vestem roupa preta, Kemi, Marcia e Jô, tem cabelos mais escuros que os de Marisa; Kemi é a mais jovem e com cabelos mais longos, ela e Jô usam hadset (fones acoplados a microfone); Jô usa óculos e todas sorriem descontraidamente. A foto editada com filtro mostra o fundo roxo que se espalha pelas roupas e cabelos e confere um tom verde ácido aos rostos mesclados em azul bic. No canto inferior direito, os roteiros e o microfone sobre a mesa de som​,​ parecem ter sido desenhados com cores psicodélicas em tons de azul, verde, amarelo e vermelho.                                 
Por: Redação do Catraca Livre

Foi num curso de locução que a atriz Marisa Pretti teve o primeiro incômodo com a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Anos depois, lá estava ela fazendo cursos e mais cursos de audiodescrição (tradução de imagens em palavras).

Com a roteirista Márcia Oshiro, criou o As Meninas dos Olhos para promover a acessibilidade a pessoas com deficiência visual e baixa visão, deficiência intelectual, idosos, disléxicos e quem mais necessite dessa ferramenta.

E há exatamente um ano as duas fazem voluntariamente, no Íris Cor de Mel, um trabalho de descrição de imagens nas redes sociais e no blog, atendendo solicitações dos leitores.

O objetivo é conscientizar sobre a importância da acessibilidade de todo o conteúdo da internet, já que os leitores de tela leem o texto, mas não as imagens. “Temos necessidade de mostrar ao mundo que as pessoas precisam ver.”

 

Por isso elas descrevem tudo o que é pedido: convites, fotos, obras de arte, tirinhas. E, principalmente, os próprios internautas. “Me diz como eu sou” é um dos pedidos mais frequentes, conta Marisa.

Ela se lembra da primeira descrição que fez, quando disse que o cabelo de uma garota era castanho. “Mas o que é castanho?”, perguntou. E Marisa completou. “O seu lembra a cor do chocolate”. “Ah, então o meu cabelo é gostoso pra caramba!”, conclui, feliz.

“Quem já nasceu cego monta seu próprio acervo, associando cores a emoções, sentimentos, cheiros, sons. Por isso sempre devemos descrever as cores, até porque algumas pessoas cegas já enxergaram em algum momento da vida.”

Agora, a dupla está lançando uma campanha de acessibilidade dos posts no Facebook: “Vamos compartilhar somente imagens com descrição. Postou foto? O que você vê? Simples assim: descreva pra quem não vê”.

E descrever uma imagem é fácil? “Não, é muito difícil”, diz Marisa. “Mas o que vale é a intenção. Se você posta a imagem de você passeando com seu cachorro na praia, escreva isso, já é um começo”, pondera.

Mas a meta das duas, embora distante, é bem mais ambiciosa: “Todo conteúdo de imagem deveria ter, obrigatoriamente, uma descrição para quem não enxerga. Isso é respeito, isso é inserção”.

Por QSocial

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Tags:#Acessibilidade#Inclusão

 

Ilustração em fundo branco. Na parte superior esquerda: dois homens obesos, um ao lado do outro, sentados em um banco ripado por linhas pretas e tortas. O homem da esquerda usa chapéu, óculos escuros, blusão marrom, calça azul e sapatos pretos. O outro, à direita, é calvo, rosto anguloso e nariz grande; usa um blusão cinza, calça vermelha e sapatos pretos. O homem de chapéu mexe no celular e diz: Vou usar aquele aplicativo e ver como vou ficar daqui alguns anos; o outro diz: Melhor não brincar com isso é perigoso! Na parte inferior direita: celular no chão próximo aos sapatos pretos e sobre o assento do banco, o chapéu, os óculos e um montinho em marrom e cinza. O homem calvo observa o que sobrou do amigo e diz: ...num falei?!?

Ilustração em fundo branco. Na parte superior esquerda: dois homens obesos, um ao lado do outro, sentados em um banco ripado por linhas pretas e tortas. O homem da esquerda usa chapéu, óculos escuros, blusão marrom, calça azul e sapatos pretos. O outro, à direita, é calvo, rosto anguloso e nariz grande; usa um blusão cinza, calça vermelha e sapatos pretos. O homem de chapéu mexe no celular e diz: Vou usar aquele aplicativo e ver como vou ficar daqui alguns anos; o outro diz: Melhor não brincar com isso é perigoso! Na parte inferior direita: celular no chão próximo aos sapatos pretos e sobre o assento do banco, o chapéu, os óculos e um montinho em marrom e cinza. O homem calvo observa o que sobrou do amigo e diz: ...num falei?!?

 

Acho que deu pra perceber que descrição de imagens pra gente é coisa séria! E sem descrição, não tem diversão! 

 

 

 

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